quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Desconheço

Não foi a primeira vez.
Ela insistia em fugir. Via o que os seus olhos não queriam enxergar. E não sentia o que o seu coração repelia. Cada pedacinho do seu corpo, tomado pela maior de todas as incertezas.
Não havia placas, ninguém indicava o caminho e todas as informações que conseguia eram vazias e sem nexo. Falam e não diziam nada, mas continuavam falando e justificando.
E ela rodava. E corria. E insistia em fugir.
Antes de sair ouviu de todos o quão inútil seria aquela volta. Não aprenderia nada, não colheria nada. Ouviu que seu esforço seria em vão.
Ela não acreditou. Começou com poucos passos, negando o caminho. Mas antes mesmo de percebê-lo real, já estava mais envolvida com a estrada do que esperava.
E agora não queria mais estar ali. E agora só queria correr.
Só queria sair.
Mas sem placas, sem informações.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Como?

Às vezes me pego pensando: "como teria sido?".
Como seria se eu não tivesse saído? E se eu tivesse falado o quanto eu gosto? Como teria sido se eu ficasse, se eu não errasse a hora, se perdesse um dia de show?
Como seria se eu não escreve esse texto, se eu não te desse mais atenção e se eu gostasse mais de vermelho?
Como seria se eu desse mais uma chance, se eu não fosse tão racional e se aquela mensagem nunca fosse mandada?
Será que hoje eu estaria assim? Será que me perguntaria "como teria sido?"?

E como seria se essa pergunta nunca passasse pela minha cabeça?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O sofá

Deitamos em sofás diferentes, um em frente ao outro. Conversamos sobre tudo, das coisas mais banais aos assuntos mais importantes.
Estava quente. Bem quente. Ele perguntou se eu me importaria se tirasse a camisa. Respondi que não. Lentamente ele se levantou do sofá e tirou a blusa.
Respirei fundo e não fiz nenhum comentário.
Lentamente ele foi para o meu sofá e deitou ao meu lado. Bem quente. Ele perguntou se eu gostaria de tirar a minha blusa, não quis.
Ficamos conversando enquanto ele mexia no meu cabelo. Estava bem sem graça com ele ali, sem blusa do meu lado. Ele me beijou. Os beijos mais demorados daquele minuto. E me beijou até eu ter vontade de tirar a minha blusa.
A minha e a dele, no chão.
Eu e ele, no sofá.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Falaram por mim...


"Se as coisas são inatingíveis... ORA! Não é motivo para não querê-las. Que triste os caminhos, se não fora a mágica presença das estrelas!"
Mário Quintana

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dos mesmos de sempre


Cansei
Cansei das mesmas cores, das mesmas palavras, do mesmo caminho.

Cansei das mesmas manias, das mesmas preguiças, dos mesmos programas.
Do mesmo papo

Da mesma música
Da mesma cama

Cansei das mesmas desculpas, das mesmas mesas, dos mesmos passos.

Cansei dos mesmos eus

Cansei dos mesmos vocês.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mais um passo


E quando eu acho que conheço o caminho,
me sinto perdida, dando voltas,
revoltando sem andar.
Andando no mesmo lugar.


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Meu escuro sem som

Hoje eu quero apagar a luz.

Todas

Juntas

Quero apagar a luz do mundo

a luz da TV

a luz dos meus olhos

E quero desligar o som

Todos

Juntos

O som do telefone

dos carros

da música

das minhas assombrações

Quero o escuro e o silêncio

Sem medo de nada

Sem o brilho incômodo do dia

Sem ouvir qualquer coisa

Sem

Hoje eu quero a noite

Só pra mim

Só pra pensar

Só para não falar, nem acender

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Lá em casa...


Lá em casa todo mundo fala alto e ao mesmo tempo. Durante os grandes almoços então, é quase uma disputa. Também é quase uma disputa o cardápio do almoço. É que lá em casa todo mundo é meio chef e adora inventar receitas (e experimentar todas).
Lá em casa o bom humor reina. E o exagero também. Todos os 879 primos e os 364 tios exageram um pouquinho. Cada um com o seu exagero, claro. E uns com mais que outros.

Lá em casa todo mundo comemora as vitórias e enfrenta juntos os problemas. Nos grandes almoços todo mundo fala tudo e pergunta sobre qualquer coisa. Ninguém tem muita papa na língua.

Lá em casa a gente faz guerrinha de água com a mangueira. Molha quem tem mais de 50 e molha quem tem menos de 5. Lá em casa todo mundo é festeiro. E a gente inventa festa. Não tem chuva, sol ou tempo seco que atrapalhe a animação.

Lá em casa a gente troca mensagens de amor e se abraça e se beija o tempo todo. Até os filhos grandes ganham colo dos pais. E dormem com os pais também.

Lá em casa a gente faz canudinho de doce de leite uns para os outros. E se reúne para cantar em volta da fogueira. E gosta de dançar. E gosta de estar junto.

Lá em casa todo mundo é benvindo. Se levar um sorriso no rosto então, nem se fala. É que lá em casa todo mundo gosta de sorrir. Mas também, lá em casa a gente tem uns 3 milhões de motivos para ser muito feliz.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Inesperado

O meu lado racional ficou no ontem. Inesperadamente, acordei no maior de todos os romances.
Acordei querendo andar no parque de mãos dadas, de um jeito que só as nossas mãos se unem. E andaremos cantarolando as canções que embalam nossos momentos. Acordei querendo te olhar por inteiro, dentro dos seus olhos, para mostrar o brilho dos meus diante dos seus. Acordei querendo te beijar sorrindo e querendo rir de todas as bobagens que você fala tentando ser engraçado. Um dia pra dançar no nosso silêncio mais profundo e traduzir emoções nos abraços mais envolventes e demorados.

Acordei pensando em flores, borboletas e primavera. E querendo passar todas as outras estações do seu lado. Compartilhando uma história tão nossa e tão íntima, quase impossível de descrever. Acordei e escolhi cada palavra. Entre todas as declarações de felicidade e quereres eternos. Eternos por segundo. Intensos. E que todo o tempo não seja suficiente.



Para completar, entrei no blog de uma amiga e vi esse vídeo. É de uma produtora que ela conhece, lá no Rio. Eles fazem umas imagens do casal antes do grande dia, filmam todo o matrimônio e editam na hora. Lindo.

Para ouvir:


Fora do chão



- Olha!
- O quê?
- Viu aquela menina?
- A de verde?
- Isso!
- Vi...
- Olha como ela anda
- Parece que ela flutua
- É, parece!
- Ela deve ser muito feliz
- Aposto que ela tem os pensamentos leves
- E nem lembra que o chão existe
- Ela deve ser tão livre...
- Será que ela está cantando uma música?
- ♫ ♪
- Eu queria flutuar...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

No meu livro

Se você fosse personagem do meu livro, eu não deixaria você saber o final.
Escreveria, escreveria, escreveria.
Cada parágrafo para um novo dia.
Uma palavra para cada emoção.
Se você fosse personagem do meu livro, você viveria a história de cada ponto, a pausa de todas as vírgulas e os suspiros das reticências.
No meu suspense-romântico, comédia-dramática ou aventura-musical você teria a chance de recomeçar, de intervir, argumentar, apagar e reescrever todos os capítulos.

Sem nunca imaginar o final.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

20 de julho

Acordar não era mais tão simples. O compasso do seu corpo não acompanhava mais o ritmo da sua vontade. Não era assim. Não começou nem com uma simples dor de cabeça. Começou profundo. Via-se disponível a tratamentos, estudos e choros. Via-se sustentado por um coquetel de pílulas diário. Minuciosamente controlado. Um regime ditatorial, exames, exames e mais exames, e uma resposta que nunca chegava.
Para quem assistia de longe, não havia mais esperança. E ele sempre ali, com um grande sorriso no rosto. Sua confiança era suficiente para nos fazer acreditar. Mais um dia. Mais um dia. Mais uma vitória. Sua vontade de viver resultava em melhoras inesperadas. Mais um dia.
E foram meses. Tantos quilos a menos, tantos alimentos proibidos e várias cápsulas a mais. E o mesmo sorriso. Aquele grande sorriso.
Especialistas sugeriram transplante. Explicaram que era o único tratamento definitivo. As pílulas diárias não faziam mais efeito. E mesmo com uma grande fila de espera, ele acreditou. Ele quer viver.
Dia 20 de julho era seu aniversário. Dia 20 de julho um outro sofreu um acidente. Um outro, desconhecido, compatível. No dia do seu aniversário, ele ganhou mais anos de vida.
E nós ganhamos um sorriso para viver.


Se você não acredita em Deus, comece a reconsiderar.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Leoninando

"Não fala nada
Deixa tudo assim por mim
Eu não me importo se nós não somos bem assim
É tudo real nas minhas mentiras
E assim não faz mal
E assim não me faz mal não
Noite e dia se completam no nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino
Eu te conserto
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
E eu te recriei só pro meu prazer
Só pro meu prazer
Não vem agora com essas insinuações
Dos seus defeitos ou de algum medo normal
Será que você não é nada que eu penso?
Também se não for não me faz mal
Não me faz mal não"

Escute:

Não negue nunca jamais



Você pode disfarçar o sorriso, mas não pode negar a felicidade
.
Você pode disfarçar um olhar, mas não pode negar que vê.
Você pode disfarçar o que quer, mas não pode negar sua vontade.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Das coisas que eu penso



Nostalgia é mais triste que saudade.
E dói muito mais também.

É lembrar e querer algo que nunca vai voltar, por mais que você morra de saudades.

A saudade um dia acaba; a gente encontra e mata.

Nostalgia não.



terça-feira, 20 de julho de 2010

Desenhadores de sorrisos

Eu posso acordar de mau humor. Posso bater o dedinho na quina do armário. Posso terminar com um, levar um pé na bunda (ou dois) e posso até ser demitida.
Posso viver os dias mais difíceis do mundo nesta ou naquela TPM. Posso perder a melhor festa e até chegar atrasada no show. Posso enfrentar situações embaraçosas, encontrar com quem eu não queria e até ver o que eu não devia.
Posso errar uma vez, posso errar várias vezes. Posso ligar as 3 horas da manhã e posso cantar a mesma música 50 vezes.
Posso morrer de medo e posso me encher de dúvidas.
Posso tudo, só não posso ficar sem aqueles que fazem todos os momentos ruins durarem menos de 5 minutos.
São eles que colocam um sorriso no meu rosto. São esses olhares que eu encontro, nesses braços que me perco e essas mãos que eu procuro.

Feliz dia do amigo!


domingo, 18 de julho de 2010

Seu efeito

Quando seus beijos tirarem todo o meu fôlego,
como o efeito da sua presença.
Quando seu abraço me envolver completamente,
como o seu sorriso.
Quando seu sussurro me levar para outros lugares,
como o seu cheiro.
E quando suas mãos me despirem,
como os seus olhos.
Eu vou acreditar que é real.
.
.
.
Até lá, continuarei sonhando

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Inspiração

Quando me falta um sorriso nos lábios, não me faltam palavras. Passo as horas vagando pelos meus pensamentos mais melancólicos e solitários, aqueles mais esquecidos. E quando eles parecem não ter mais saída, eu escrevo. Escrevo para tentar desabafar o que não consigo dizer. Vago pelos pensamentos evitados e busco inspiração.

Quando me falta um sorriso nos lábios, poucas coisas são mais interpretáveis que um olhar desviado.

As lágrimas inspiram tanto quanto os sorrisos. O silêncio inspira tanto quanto a música. A solidão inspira tanto quanto uma companhia. Sob perspectivas diversas, com resultados opostos, mas inspiradoramente bons.

Notavelmente diferentes.


Para ouvir:


quarta-feira, 14 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Caminho incerto

Ela tentou atravessar aquele caminho algumas vezes. Era um caminho estranho, cheio de incertezas e surpresas.
Ela ouvia histórias de muitos que foram e não voltaram, perdidos naquele espaço de tempo irreal. Ela tentou atravessar aquele caminho algumas vezes, mas não chegou nem na metade do percurso; ia até o ponto que seus olhos ainda enxergavam a entrada. E quando o grande portão ameaçava sumir, ela corria de volta, sentava e assistia os corajosos que enfrentavam o inesperado. Então ela respirava fundo e prometia para si mesma que dessa vez não teria medo, mas a cada passo recordava de cada tombo que levou por desconhecer o terreno. Olhava cada cicatriz, recordava de cada lágrima que derramou por estar ali, sozinha no desconhecido. Alguns machucados ainda estavam lá, abertos, por mais que cuidasse, não cicatrizavam. E insistiam em doer.

Ela ouvia uma música para impulsioná-la e tentava andar um pouco mais rápido. Mas faltava coragem para atravessar o caminho desconhecido.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O desafio, o medo e a superação

Nada me desafia mais que uma página em branco.

E nada me dá mais medo.

Medo de não saber o que escrever, medo de não saber continuar.

Medo de nem saber começar.

Desafio de fazer melhor, desafio de recomeçar, mesmo sem saber qual a primeira letra.

Nada me desafia mais que linhas não escritas e folhas não preenchidas.

E nada me dá mais medo.

Posso desistir do pára-quedas, da montanha-russa e do primeiro encontro.

Mas não posso desistir de escrever.

Não posso e nem quero. É na superação diária da folha em branco que me realizo.

E nada me desafia mais que uma realização.



Para ouvir:


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fora do comum

Quinta-feira, véspera do jogo do Brasil, 2:30h AM, o celular toca:
"Gatinha do céu! Você não imagina o que aconteceu comigo... Ai meu Deus! Sério, eu sou muito maluca. Nossa gatinha... tô bêbada. MUITO bêbada. É que eu fui lá prum bar com uns amigos e bebi pinga a noite inteira. É, menina, PINGA! Pois é, eu até tinha o cupom de chopp, mas você acha que eu lembrei disso depois da terceira pinga? Hahaha! Três? Nãããão! Bebi seis! Ai meu Deus. Ai eu tava indo pra casa, e ai tinha uma blitz. Gelei gatinha, gelei... Blitz no meio da Afonso Pena. Sabe eu? Tava com o farol apagado. Nãããão! Isso nem foi o pior... Eu atropelei os cones da blitz menina! Acredita? Atropelei. Não não, eu não tava sozinha; um amigo meu tava comigo. LÓÓÓÓGICO que o policial me parou. AI MEU DEUS! E o policial era super HOT, super. Ai ele chegou perguntando o que estava acontecendo.. Gatinha do céu, eu sou muito louca. Sabe o que eu falei pro policial? Que eu tava distraída com o meu amigo, com o tanto que ele era bonito. Falei pro moço: "OLHA O TANTO QUE ELE É BONITO, POLICIAL". Hahahaha! Nem era, era feio. E o policial riu, né?! Claro. Continuei... Falei pra ele que "tô encalhada há 2 anos (DOIS ANOS) e que aquela era a minha chance", ai pedi pro moço "tirar o pé da minha noite". E ele me liberou! Acredita? Hahahahaha! Eu sou muito sortuda. É!!! Virado pra lua... Hahahaha! Não, não, continuei encalhada mesmo."

terça-feira, 6 de julho de 2010

500 dias com Summer



Como a consideraram uma vaca sem escrúpulos, resolvi escrever em sua defesa.
Entre suspiros e The Smiths: Summer, a mocinha do filme "500 dias com ela". Com olhos tão grandes capazes de intimidar. Ou paralisar. A Summer é muito voluntariosa, instável e as coisas são sempre do jeito dela. Geralmente esses seriam motivos suficientes para não se apaixonar, mas como?
A Summer é iluminada e assim deve ser ficar ao lado dela. Um mundo de encantamento e risadas. A
Summer se permite, faz o que tem vontade, fala o que quer, é natural, sem se importar com o que as pessoas pensam dela. Ela quer viver, quer gostar, quer fazer, sem se prender a preconceitos. Ela é capaz de largar tudo numa cidade pra procurar aventura em outra totalmente diferente. Simplesmente porque teve vontade. Talvez sejam esses detalhes que fazem a mocinha uma pessoa absurdamente apaixonante. Não é o físico, mas a liberdade que ela transmite. E uma luz que irradia.
A
Summer é feita de coisas pequenas, de dias ensolarados no parque, de panquecas, de Ringo (Star) e karaokê.
Uma palavra para descrevê-la: leve. Ela vive de maneira leve, vive o hoje, e é intensa naquele momento.
Intensa naquele momento. Noites Brancas [Dostoievski] tem uma frase para-frasear: "Um minuto inteiro de felicidade, afinal, não basta isso para encher de alegria a vida inteira de um homem?!".
Detalhe importantíssimo: a
Summer usa laços no cabelo.

Para ouvir:



Para ver: "500 days of Summer"


Texto escrito pelas trocas de e-mail com @MateusCoelho

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Falaram por mim

SAUDADE
Miguel Falabela

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta que
não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu,
do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida
é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem
se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade,
mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem
vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se
menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe
como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando
num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa
daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista
como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa
daquela mania de estar sempre ocupada;
se ele tem assistido às aulas de inglês,
se aprendeu a entrar na Internet
e encontrar a página do Diário Oficial;
se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
se ele continua preferindo Malzebier;
se ela continua preferindo suco;
se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;
se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor;
se ele continua cantando tão bem;
se ela continua detestando o MC Donald's;
se ele continua amando;
se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer
com os dias que ficaram mais compridos;
não saber como encontrar tarefas
que lhe cessem o pensamento;
não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
não saber como vencer a dor
de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro,
e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz,
e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos.
É não querer saber se ele está mais magro,
se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama,
e ainda assim doer...
Saudade é isso que senti
enquanto estive escrevendo
e o que você, provavelmente, está sentindo
agora depois que acabou de ler.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Simplicidade

De tudo que eu gosto nessa vida, eu prefiro a simplicidade.
A simplicidade de abrir a janela e ver o sol, de beber uma água gelada e caminhar por uma praça. A simplicidade de ouvir uma música ou até batucar um som. Simplicidade. Aquele amigo que te manda uma mensagem no final da tarde. Um elogio sincero de alguém que você gosta ou um abraço apertado que te faz especial.
É, de todas as coisas eu gosto mesmo, as mais simples são as prediletas. Um sorriso gostoso, um beijo demorado e um poema declarado. A simplicidade de uma gargalhada, de ver um filme acompanhada e comentar tudo no final. Eu quero poder olhar nos olhos, cantar que eu sou feliz e dançar toda essa leveza.
De tudo que eu gosto nessa vida, eu prefiro a simplicidade de me encontrar nas palavras. De me reconhecer em cada linha e sorrir no ponto final.


terça-feira, 15 de junho de 2010

Falaram por mim

"Ouse, ouse tudo.Não tenha necessidade de nada.
Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda a roubá-la! Ouse.
Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida"

Lou Salomé

Ouse, ouse tudo.

domingo, 13 de junho de 2010

Era o seu show

O sol estava sumindo no horizonte quando sentamos para conversar. Sem nenhuma pretensão, só pro tempo passar. Sem nenhum assunto pendente, só conversar o cotidiano.
Soltei palavras entre alguns gestos desconexos. Falei sem sentido e você riu. Eu me sentia completamente livre com você do meu lado. Livre e seguro. Sentia-me capaz de fazer qualquer coisa.
Anoiteceu e corremos para o nosso show. Aquele momento estava programado para acontecer ali. Rimos a mesma risada e senti o quanto éramos ligados. Gostei daquilo. Nenhuma garota despertava os sentimentos que você bagunçava em mim, todos juntos.
Há um mês eu esperava o dia que aqueles caras subiriam no palco e tocariam a nossa música.
Quando o primeiro acorde começou, busquei a sua mão, com os olhos fixos na guitarra. Você entenderia o que estava acontecendo comigo ali.
E a minha mão rodou no ar, até um pouco fora no caminho. As nossas mãos não se encontraram. Desviei meus olhos da guitarra para saber de você. Busquei encontrar seus olhos procurando os meus, com um certo consolo de "estou aqui" e um grande sorriso no rosto.
Mas você estava de olhos fechados, beijando outro homem de mãos dadas.
Enquanto a nossa música tocava.

Para viver

Vou viver sem você.
Vou e ninguém vai me impedir.
Vou viver sem minhas neuras noturnas e sem as cobranças matinais.
Abandonarei seu cheiro, seu sorriso e todo o resquício de você em mim.
Vou viver sem você.
Viverei sem pensar porque você não ligou, porque você não falou e porque eu não fui atrás.
Viverei sem imaginar situações, sem conversar sozinha pelas ruas e sem escrever textos que você nunca lerá.
Vou viver sem você e começarei a viver pra mim.
Farei tudo que eu quero, do jeito que sempre quis. Pra não pensar mais em você.
Irei em todos os lugares e não ficarei procurando o seu rosto
Viverei.
Seguirei em frente
Você não vai me impedir
Viverei a minha vida, e ela não será mais em função da sua.
Por mim, por mais de mim, por menos de ti.
Eu vou viver sem você.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A falta que ele me faz

Sempre que eu ligava ele atendia com um "oi linda". E sempre que eu entrava no carro ele comentava o quão cheirosa eu estava. Vimos dezenas de filmes. E ele se afastava da poltrona, pacientemente, todas as vezes que eu queria ir ao banheiro depois de ter tomado 1 litro de coca cola.
Comentávamos vitrinas, pessoas e músicas. E cantávamos juntos.
Vivíamos entre as dúvidas dos amores impossíveis e das paixões provocantes. E entre um Café e outro, uma barra de chocolate.
Demos PT, esquecemos vídeos e fotos e falamos palavrões.
Ao som de Madonna, Lady Gaga e outras divas, dançamos infinitamente.
Um dia, ele: "Argentina?"
E eu: "Vai".
Desde então eu conto os minutos pra volta daquele que coloca um grande sorriso no meu rosto.


quarta-feira, 19 de maio de 2010

(Des)contado

Acostumada a andar todo dia dois quarteirões e virar a esquerda. Acostumada a almoçar todo dia no mesmo lugar, bebendo o mesmo refrigerante. Acostumada a conversar sempre com as mesmas pessoas no trabalho e conferir os mesmos sites. Acostumada a fazer sempre a mesma coisa e igual, sem nenhum detalhe diferente.
Um dia o computador estragou, sua amiga de trabalho faltou, o refrigerante de sempre foi retirado do mercado, o restaurante fechou e a rua a esquerda foi interditada.
Um dia tudo mudou.
E ela teve medo de fazer tudo diferente.

terça-feira, 18 de maio de 2010

A menina do laço


A menina do laço que enrola, que amarra, que prende
A menina do laço que envolve, enfeita e laceia
Do laço que fecha
Do laço de fita
Do laço de papel
Do laço que nunca se desfaz
A menina do laço enlaça
A menina do laço contorna
A menina do laço leve
Do laço que flutua
Laço de fita lilás
Laço de fita da menina leve do laço

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Um show com estrela

Ruas atravessadas. Um caminho completamente fora do comum ao som de notas desconhecidas e passos milimétricos. Esquinas dobradas, encontros evitados e esconderijos estratégicos. Aquele bar.
Sentada no balcão, o garçon colocava mais uma dose de uma bebida qualquer. Ria junto com risadas ocultas e chorava as lágrimas que nunca existiram. Bebeu um. Cantou música inventadas e dançou com aplausos merecidos. Bebeu duas. Seu cabelo preto escorria toda a vaidade, era impossível não olhar para aquela mulher. Sua forma incitava o desejo e suas mãos despiam algumas partes do seu corpo, inocentemente perigosa, provocante, longe de todos os toques.
Cenário sombrio, a única cor era do seu batom vermelho. Bebeu três. Sorriso sincero, naturalmente conquistador. Ela não forçava nada, apenas era. Observei seus movimentos com toda a leveza que quebravam a rispidez do lugar. E entre um balanço e outro, ela se revelava.
Menos um casaco. Menos uma bota. E outra. Menos aquela saia que cobria as lindas meias pretas. Bebeu quatro. Sua blusa reluzia o que restava de luz. Dançou ao som dos olhares fogosos. Enquanto se acariciava satisfazia o sonho de qualquer pessoa presente. Aquele bar. Aquela mulher.
Blusa no chão. Ela não importava com os gritos externos. Era seu mundo, sua vontade, seu próprio prazer. Todo o resto era só espectador daquele momento. Suas formas perfeitas, a lingerie preta e as meias intocáveis. Um show com estrela.
Mais uma dose.

terça-feira, 11 de maio de 2010

A velhiante


Por @Maurilo:

"Velhiante é uma combinação das palavras "velha" e "meliante". Pois ontem a pequena Gabi Alvarenga, redatora da Pro Brasil, teve contato com uma velhiante da pior espécie.

Estava a menina toda serelepe tomando café na lanchonete do Carrefour quando uma velhinha senta ao seu lado. Muito simpática, a doninha começa a elogiar o casaco rosa e o arquinho da Gabi.

- Onde você comprou esse arquinho? Que lindo! Os meus machucam tanto... o seu é confortável? Você lembra quanto ele custou? Nossa, ele é muito lindo.

De repente, a bondosa velhinha pede para ver o arquinho em suas mãos e, ato contínu, coloca em sua cabeça para experimentar.
Logo depois o velhinho da velhinha chega, ela se levanta, toda simpática, dá os braços ao marido e diz em voz alta.

- Ô, meu bem, você viu que arquinho lindo esse que aquela menina me deu? Ai, ela é tão simpática... ficou bem em mim, não ficou, meu amor?

E vai-se embora a velhiante sorridente, deixando Gabi Alvarenga aparvalhada a terminar seu lanche."


Texto original lá no Pastelzinho (e váááários outros textos ótimos)

domingo, 9 de maio de 2010

Ela daria a vida por mim


Eu escondi algumas notas baixas da escola e não contei sobre meu primeiro beijo. Brigava quando ouvia nãos e chorei quando mudamos de cidade. Eu já quis ficar sozinha, já quis fugir de casa e já até deixei a mochila pronta. Falei coisas sem pensar, da boca pra fora, contei mentiras desacreditadas e não retornei algumas ligações. Roubei o carro, viajei sozinha e pedi um tempo pra pensar.
E você, mesmo assim, mesmo depois de todos os meus erros, nunca me amou menos. Nunca negou um colo, nunca negou uma conversa. Com todas as minhas imperfeições, você me ama incondicionalmente por inteiro. E quando nossas brigas terminavam em risadas sem fim, eu entendia porque você é a melhor mãe pra mim.
É quem conhece cada pedacinho, cada medo, cada falha e que comemora cada acerto. É quem carrega 3 celulares diferentes, só pra falar comigo e me lembra de cada compromisso. É ela que confere se estou coberta a noite e liga de manhã pra eu não perder a hora. E se um dia eu tiver um filho, quero ser pra ele exatamente o que ela é pra mim!

Mãe, eu amo muito você!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Amor de mãe

Era um dia muito especial. Meu pai reservou uma mesa no melhor restaurante da cidade para comemorarmos a minha aprovação no vestibular. Ele e minha mãe conheciam muito bem aquele lugar, mas era totalmente inédito pra mim.
Olhei o cardápio cuidadosamente, queria ter certeza que faria a escolha certa. Mas ficou muito difícil ter certeza disso quando percebi que todos os nomes, dos pratos aos ingredientes, estavam em francês. Não quis dar o braço a torcer e admitir que não conseguia escolher. Imaginei que o mais caro seria o mais gostoso, e pedi com a boca cheia.
Vários minutos depois o jantar chegou. Minha mãe ficou observando enquanto eu tentava decifrar minha refeição. Primeira garfada, detestei. Olhei para os dois e assumi:
- Não gostei do meu prato...
- Sabia que você não ia gostar, por isso nem toquei no meu. Toma, troca comigo. Você vai amar o que eu escolhi.
- Mas mãe, por que você não me avisou? Se você tivesse me avisado eu teria mudado...
- Não teria, eu te conheço. E eu tinha que deixar você escolher minha filha. Você tem que aprender a admitir suas fraquezas e tomar suas próprias decisões. Não posso escolher pra você, mas posso oferecer minha ajuda toda vez que suas escolhas não forem bem o que você pensa. Dessa vez eu escolhi seu prato preferido.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Opiniões

Fábio, 28 anos, publicitário. Um dia teve uma grande ideia, convenceu o cliente, ganhou muitos prêmios, abriu sua própria agência e ficou milionário. Hoje ele tem uma agência, uma produtora, uma empresa de pesquisa e uma marca de roupa. E muito mais que 1 milhão, claro.
1 - Fico triste quando fico sabendo de uns casos assim... Faço 28 daqui 4 anos e não tenho nem emprego direito.
2 - Eu queria ser assim com 28 anos, imagina?! Poderoso, influente e com muitos prêmios.
3 - Eu QUERO ser assim com 28. Não quero ser só mais uma publicitária no mercado não, quero consquistar meu espaço.
4 - Meu sonho ter tudo isso com 28 anos, mataria meu pai de orgulho.
5 - Com 28 anos eu quero casar com o Fábio.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

De repente, tudo mudou

Não fazer qualquer coisa tinha um novo significado. Música passou a fazer mais sentido e as festas ficaram mais divertidas.
Não importava o ritmo, não importava o lugar, nem importavam as outras pessoas. Conversar no msn bastava para me fazer dormir tranquila e qualquer mensagem, a qualquer hora, era motivo de felicidade plena.
Tudo era justificável, todos os gestos tinham um objetivo e todos os abraços eram demorados. Os domingos deixaram de ser entediantes e começaram a passar tão rápido quanto os sábados. E os sábados, ah! os sábados...
Os textos ganharam personagens, os dias ganharam suspiros e as manhãs foram agraciadas com meu ótimo humor.
Cada palavra teve um outro sinônimo e um outro antônimo. E cada momento era a hora mais feliz das nossas vidas.
E tudo que só a gente dizia, tudo que só a gente fazia, tudo que só a gente entendia e de tudo que a gente ria.


ps.: ...

domingo, 25 de abril de 2010

Entre outros

Ela gasta metade do salário num par de sapatos. Ele vai em todas as festas com a mesma calça jeans. Ela está sempre antenada às tendências de moda. Ele só usa camisetas de banda, sem manga. Ela lê livros, jornais, revistas e corre atrás de informação. Ele não lê nem o cardápio do restaurante. Ela vai ao cinema, passa tardes em cafés e passeia por museus. Ele fuma maconha o dia inteiro e nunca pisou no teatro. Ela fez uma ótima faculdade, tem um bom emprego e está conquistando seu espaço no mercado. Ele não terminou nenhuma das três faculdades que começou, montou uma banda e acha que vai sobreviver assim. Ela fala discute profissionalmente. Ele não discute nada. Ela fala sobre suas aspirações. Ele fala sobre seus sentimentos. Ela acorda às 6h para correr e trabalhar e ele está indo dormir. Ela quer um final de semana na praia, em algum hotel bem aconchegante e bonito. Ele quer passar uma semana acampado na areia, tomando banho de mar. Ela conheceu ele numa festa qualquer. Ele fez ela se apaixonar.
Por uma música, numa festa, pelo cara com a camiseta de banda. E ela viveu aquilo, mesmo sabendo que seus mundos nunca mais se encontrariam depois daquela festa. Por mais que tentassem, eram diferenças demais pra um espaço tão pequeno.
Ela viveu a vida e ocupou seu tempo racional com outras coisas. Mas ele nunca esqueceu a garota do sapato cor de rosa.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Contrariando

(1)
Virei as costas e fui
Não pensei, não falei, não fiz, não olhei
Quis
Quis e morri com a vontade de querer
E corri pra não voltar
Desliguei pra não ligar
E dormi pra não arrepender

(2)
Olhei pros lados e fingi não ver
Ignorei pessoas, passados e razões
Quis
Quis e fiz
Para não morrer com a vontade de querer
Aproveitei o minuto que podia ser
E fui
Além de todas as expectativas
Intensamente
Fiz pra não arrepender
E que venham as consequências do fazer

sábado, 17 de abril de 2010

Tão São Paulo

Quero acordar de manhã e correr no parque do ibirapuera
Quero trabalhar por aqui
Quero sentar num café e fazer dali o melhor lugar do mundo com um bom livro
E ver muitos bons livros reunidos num lugar maravilhoso
Andar por Andy Warhol na Pinacoteca e viver o Romantismo no Masp
Pegar o metrô e chegar do outro lado da cidade em 15 minutos
E contemplar todas as luzes a noite
Quero viver no palco dos shows, das festas, da cultura
E contemplar dias em toda a escala de cinza
Quero uma cantina italiana e o japonês mais sofisticado
E esperar as luzes de natal da Paulista
Andar pela Oscar Freire e gastar dinheiro na 25 de março
Quero viver São Paulo, com todos os "meus" possíveis

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Importâncias

- Alô
- Oi!
- Oi!
- Tudo bem?
- Tudo. E com você?
- Também. Queria te ver... Acho que vou passar ai rapidinho.
- Ixi, nem precisa. Estou saindo daqui a pouco. Você vai me ver por 10 minutos.
- Ah...
- Depois encontramos
- Tudo bem... Vai fazer o que?
- Marquei meu pilates mais cedo hoje
- Por quê? Algum compromisso depois?
- Não, nenhum. Mas quero dormir mais cedo. Amanhã vou acordar 6:40h
- Hahahaha! 6:40h? Que horário engraçado! Acorda 6:30h...
- Ah! Mas esses 10 minutos de sono são muito importantes pra mim.
- 10 minutos de sono são muito importantes, mas 10 minutos comigo não valem a pena, né?!
- ...

Pedaços

Tudo de novo, e outra vez.
Ela acordou antes do despertador. Ainda com os olhos fechados colocou sua roupa de corrida e apalpou a cama procurando o ipod.
Ignorou todo o frio e toda a solidão do momento e foi, só com seus pensamentos.
De repente, encontrou com o homem da sua vida, teve uma conversa profunda e foi pedida em namoro. Eles se beijaram como se fosse a primeira vez que estavam juntos e dançaram. A música invadia todas as partes do corpo e eles duvidaram que alguém olhasse. Ela já não estava mais com a roupa de corrida, mas com um lindo vestido verde. E sob a luz do luar fizeram declarações inesquecíveis.
- "Oi, tudo bem?"
Tudo de novo, e outra vez.
O sonho acordado foi interrompido por um estranho ignorado. E ela, que estava sob a luz do luar, voltou para o dia frio, em que o ipod era sua única companhia.

domingo, 11 de abril de 2010

Contrariando

(1)
Virei as costas e fui
Não pensei, não falei, não fiz, não olhei
Quis
Quis e morri com a vontade de querer
E corri pra não voltar
Desliguei pra não ligar
E dormi pra não arrepender

(2)
Olhei pros lados e fingi não ver
Ignorei pessoas, passados e razões
Quis
Quis e fiz
Para não morrer com a vontade de querer
Aproveitei o minuto que podia ser
E fui
Além de todas as expectativas
Intensamente
Fiz pra não arrepender
E que venham as consequências do fazer

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ahhhhh, os saltos


Há quem pergunte o motivo real dos saltos. Há quem duvide das habilidades femininas de manter o equilíbrio em saltos finíssimos e altíssimos. Há até quem ignore o efeito psicológico de um super sapato.
Sapatos são mais que acessórios. Sapatos são armas. E revelam mais que um molejo ritmicamente perfeito, revelam personalidade. A mulher precisa ser muito segura para segurar um sapato ousado e extravagante. As que optam por sapatilhas são muito práticas e as que só saem de tênis são sempre confortáveis.
E as pretinhas básicas.
E as de rasteirinhas descomplicadas.
E as atrevidas de oncinha.
Chiques, bem-resolvidas, inseguras ou muito ocupadas. Toda mulher escolhe o sapato de acordo com o dia, com o humor e com a intenção.
Experimente um super vestido com uma rasteirinha. Coloque um salto arrasador na mais básica das combinações (jeans + camiseta branca). O sapato tem poder de mudar tudo e fazer acontecer.
E os saltos... Ahhhh os saltos. Suspiros. Eles têm poderes mágicos. São capazes de levantar qualquer ânimo, transformar qualquer roupa em super produção e a mulher em heroína.
Ahhhh, os saltos. Alguns centímetros para nos tirar do chão, para elevar a alma e nos transpor a categoria de seres superiores.
Homens, nunca enfrentem uma mulher de salto alto. Elas são poderosíssimas, se sentem assim e te farão acreditar que podem muito mais que vocês. Mas pra isso nem precisa de muita magia, não é mesmo?!


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Experimente seu tempo

Sinta o efeito de um minuto.
Sinta o efeito de um dia inteiro.
Experimente vários anos.
Experimente parar.
Ouse correr com o tempo. E contra ele.
Veja devagar. Escute passar. Sabor de mudança.
Experimente a sensação de controlar o tempo
E usá-lo a seu favor.

O violão

Há algum tempo aquele violão estava encostado. Ninguém tocava e nem lembravam que ele existia, mesmo sendo um bom violão.
Decidi vender o violão. Já que não rendia música, que me rendesse algum dinheiro. E talvez ele tocasse em outra roda, debaixo de outra lua, uma outra melodia. Coloquei um anúncio na internet, outro na faculdade e esperei. Claro que alguém, em qualquer lugar no mundo, queria um violão.
Antes que o violão tivesse outro dono fui chamado para um mestrado no exterior. E o que era um dinheiro extra, virou necessidade. Aquele violão tinha que ser vendido. Coloquei mais anúncios em outros meios. Tentei até o jornal da cidade.
Viajei e deixei minha namorada responsável pela venda. Entre nossas conversas, sempre falávamos do violão.
Um dia apareceu um possível comprador. Segundo a Camila, minha namorada, ele era bem legal e se mostrou muito interessado. Ele foi conhecer o violão pessoalmente, depois levou o irmão pra ver e até o professor de música. Acho que a venda foi efetuada na quinta visita, mais ou menos. E ele pagou exatamente o que eu pedi, sem negociações.
Mas levou mais que o violão. Levou a Camila junto.



segunda-feira, 29 de março de 2010

Escute o silêncio

Escute o silêncio.
Por mais estranho que pareça escutar quando nada faz barulho
Escutar quando ninguém fala
Escutar quando nenhuma música toca e até quando os mosquitos param de zumbir.
Os ventos não se explodem entre galhos, a água não pinga pra gente dormir e nem o cachorro late na rua.
Escute o silêncio.
Tudo para, nenhum som é emitido e a gente escuta o que não existe.
Nada faz barulho, e a gente escuta.
E nesse silêncio mais profundo, a nossa respiração parece ventania, o choro parece tempestade e o coração bate como bateria.
Ouça o silêncio invadindo seu âmago.
Ouça o silêncio e sinta-se leve.
Flutue quando nenhum barulho existir.
Deixe o silêncio entrar, inspire sua serena sensação, feche os olhos e sinta.
Escute o silêncio



sexta-feira, 12 de março de 2010

Tabuleiro de quadradinhos

Meu pai me deu um jogo novo, daqueles que vendem lá na feira da cidade. Trouxe ontem, embrulhado num papel vermelho. E quando eu vi aquele embrulho e o sorriso que lançou, sabia que tinha coisa boa ali.
E num é que teve.
Era assim, de madeira, com vários quadradinhos pintados, tantos que até perdi a conta. Mas os quadradinhos ou eram brancos ou eram pretos. Meu irmão já gritou que era um tabuleiro de xadrez, só porque ele não tinha ganhado um igual. E se é de xadrez ou não, eu nem sei. E nem importa. Eu só queria saber que aquele jogo ali era meu e que ninguém mais ia brincar com ele.
Meu, só meu! O tabuleiro e todas as pecinhas brancas e pretas que tavam ali. Só meu.
Ai meu pai me ensinou a jogar um jogo. Disse que daquele tabuleiro muitos outros jogos poderiam nascer.
Um dia eu aprendi um com a vizinha que mora embaixo do meu apartamento. Outro dia eu inventei um com a Lê, lá na escola e mais outro dia ainda eu joguei o primeiro jogo que aprendi com meu pai.
Sabe o que eu mais gostava nesse jogo? Eu podia levar pra qualquer lugar. Era tão pouquinha coisa, só um tabuleiro de quadradinhos e umas pecinhas. Tão fácil e levinho.
Só aquilo ali, um tabuleiro de quadradinhos brancos e pretos com pecinhas pra fazer o que a gente quiser.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Mais que mãos

E aquele dia ela respirou fundo.
Eles se encontraram por acaso num lugar badalado da cidade e sorriram.
Não trocaram muitas palavras, não pediram explicações, nem prestaram atenção no que estava acontecendo ao redor.
Aquele dia ele segurou a mão dela.
E eles se entenderam com alguns olhares, entre vários olhares.
Os dedos se entrelaçaram e ficaram encaixados, como se soubessem desde o início o que fariam.
Ela sorriu.
Ele olhou.
E as mãos continuaram ali, unidas, grudadas.
Compreendidas.
Bastou para que o lugar badalado perdesse a graça. O maior envolvimento estava ali, nas mãos dadas e nos olhares trocados.
Sem falas, sem som, sem soltar.
A mão pequena de unhas azuis estava delicadamente segura. Fortemente protegida. Docemente cuidada
A mão grande estava sutilmente acalentada. Apaixonadamente acariciada. Bravamente ligada
Grande e pequena, completas.
Ela olhou, ele sorriu.
E ela entendeu que a mão dele estaria sempre ali.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Preparado?

JÁ!

Corre.
Não para. Continue correndo.
Corre mais.
Corre depressa.
Passa por um, passa por dois, vire a direita
Mas corre.
Enfrente a chuva.
Aguente o sol.
Corra mais.
Corre rápido. Corre distante. Corre além.
Continue.
Não para.
Pula aquele e outro também
Corre.
Não olhe pro relógio. Não conte os dias.
Não fale com ninguém.
Corre.
E respira fundo, é logo ali.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Um dia por aí

Segunda taça de champagne.
Mandei uma mensagem: "Vem pra cá". Assim, bem objetiva.
As duas taças bastaram pra lembrar a saudade que eu sentia.
"De verdade?"
"De verdade. Vem"
10 minutos, mais uma taça.
- Que bom que você veio...
- Nunca recusaria um convite seu
Beijos.
Beijos intermináveis.
Abraços.
Abraços calorosos.
Olhares. Risadas. Beijos.
Momentos nossos, para não dividir com ninguém. Momentos sem fotos, registramos apenas em nós.
Beijos.
- Vai embora, preciso dormir...
(...)
- Para! Vai embora! Agora...
(...)
- Não me beija assim. Vai embora, é sério...
Alguns passos, uma esbarrada na porta e outra parada no corredor.
- Para com isso! Vai embora agora.
- Tudo bem, eu vou, me dá só mais um beijo então.
(...)
- Chega! Sai daqui...
(...)
Eu, entre ele e o guarda-roupa.
Eu, entre ele e a cama.
Beijos intermináveis.
- Fecha a porta...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

De repente, o silêncio

Cheiro de terra molhada, ainda batida. Contemplei um horizonte tão belo que prendia o meu olhar, num tempo tão distante que já não podia explicar. Aquela estrada era conhecida, minhas primeiras lembranças eram de lá, e eu tranquei cada uma delas, de acordo com a casa de cada idade. Andava sujeitando-me à sujeira do barro, num momento tão íntimo que considerei sagrado. Ainda pude ver a mamadeira jogada e escutei a canção de ninar. A caminhada será longa, mas extremamente prazerosa.

Pude ver os meus brinquedos espalhados, e tantos objetos que não existem mais. Escutava agora as minhas primeiras palavras, o riso, o choro. Continuava me sujando, integrando-me à minha própria história. As casas tinham um aspecto de desenho animado, e tudo isso me trouxe uma paz e um conforto interior... Inexplicáveis. Vi o berço dando lugar à cama. O copo substituindo a mamadeira. Era uma casa engraçada, onde não se podia entrar. Rabiscada de lápis de cor e traçada na mais tenra inocência. Crianças andavam de bicicleta sob a lua. Continuei subindo, acreditando em cada passo que eu dava. A rua estava mais firme.

Relembrei o primeiro dia de aula, a primeira professora. Uma noite na casa da avó com direito a historinhas e pipocas. A casa agora era de plástico, toda colorida. Esconde-esconde, jogos de tabuleiro e muitos sonhos. Contemplei uma bagunça gostosa. E um cheiro de bolo no ar. De repente, revi o meu primeiro amor e também o primeiro beijo. Que experiência trágica, mas repleta de magia. Quando somos crianças tudo parece ser mais encantado. Continuei subindo a rua, que agora era calçada com paralelepípedos. As casas eram mais novas e extremamente sofisticadas, estava passando pela vizinhança da adolescência.

Cores, formas, tudo muito diferente do convencional. Fui tomado pela curiosidade de espiar pela janela. Muitos amigos com momentos maravilhosos e outras tantas lembranças terríveis. Segredos que nunca contei para ninguém; algumas lembranças até meio perdidas entre o quarto e a sala. Ouvia agora gritos, gargalhadas, guitarras e muitas festas. O clima estava vulnerável.

Os obstáculos aumentavam, os paralelepípedos ficavam cada vez mais pontiagudos e a subida mais íngreme. A terra batida já não fazia diferença. Quando se é adolescente, não se pode parecer criança.

Comecei a sentir um cheiro diferente no ar, que me fez ficar um pouco zonzo. Percebi que passava pela vizinhança da juventude. Estréia na universidade, baladas, bebedeiras e muitos casos pra contar. Amigos que foram e vieram. Pessoas que pensei que marcariam a minha vida para sempre, e não passaram de uma noite. A casa agora era alta, quase inalcançável e eu ouvia centenas de propostas tentadoras. Tempo de descobertas e aventuras.

A subida ficou mais complicada, as responsabilidades aumentavam continuamente, assim como os problemas. As casas já não eram tão alegres e o meu tempo já não era tão simples; a tecnologia invadia o espaço e todo o meu conteúdo já cabia na memória de um computador. Ao som de buzinas, processadores, relógios e secretárias eletrônicas, eu continuava subindo, já nem com tanto prazer, nem com tanta força, nem com a mesma vontade de lembrar.

A rua agora é de asfalto. Sentia-me ofegante, stressado, desejoso por descer a ladeira, e não mais subir. Já olhava a terra batida com uma saudade imensa. Todos aqueles brinquedos espalhados, a proteção, as canções e o ambiente sereno, o colo. Refleti sobre a minha adolescência, experiências novas, a emoção de dirigir pela primeira vez. Ainda havia novidades excitantes; por que mesmo eu quis crescer? Eu só queria que tudo passasse bem rápido, para que eu não tivesse que dar satisfação da minha vida pra ninguém. Naquela época eu não soube dar valor à terra batida e o asfalto tornou-se a minha ambição. Tudo isso me assustava muito. Memórias que me invadiram. Sentia-me no fim, no ar.

Olhava cada casa e via a minha imagem refletida, tantas memórias e saudades. Sou resultado de cada momento vivido. Cada casa. Cada calçamento. Cada som. Cada não. Muitas páginas viradas, muitas lições apreendidas. Consigo olhar pra trás e ver que fui um idealizador de circunstâncias nesse caminho que trilhei. E que até os mal presságios e os pedaços árduos valeram a pena com o tempo, porque eles não voltaram.

Passa, depressa, cresce, muda e eu já não tenho controle. O início deixa de ser início e vai chegando o meio, aí percebo que já estou no fim. Aos poucos fui me interpretando e percebi que o peso nas costas apontavam uma certa idade. Nostalgia. A casa que estou agora começa a desabar.

Só respiro lembranças. Os meus olhos vêem as mesmas coisas todos os dias. Páginas preenchidas. Quero reunir minhas forças para correr por essa estrada, pra sair desse mesmo lugar. Quem sabe me atirar de um penhasco? Ser livre e conhecer o infinito, sem medo de cair. O ponteiro está querendo me enganar, para que eu não consiga saber onde estou, nem quando estou.

Não vejo mais um começo e um fim.

E acabou-se a estrada.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Eu, por um amigo...

Pergunta nova no formspring! Era ele perguntado sobre ele mesmo. Mas não, não foi nada forçado... Respondi e achei aquilo bem curioso. Na pergunta ele pedia para explicar para uma terceira pessoa quem era o . Foi extremamente fácil. Ai né, Ctrl+C Ctrl+V. Quis saber como ele explicaria a Gabi. E esta foi a resposta:

"Minha vez!
Bom, a Gabi é uma pessoa encantadora. Sempre risonha, a impressão que dá e que ela sempre estará com os braços abertos pra te dar o maior abraço do mundo. Perceptiva ao extremo, criativa, está antenada em tudo o que acontece. Curte e bomba por aí horrores mas ao mesmo tempo mantém aquela pose e elegância de sempre. É uma garotinha e uma mulher ao mesmo tempo. Admiro demais a sensatez que ela tem pra pensar em tudo, até na pior atitude que fizeram com ela. Pondera, usa o bom senso e perdoa. Uma pessoa para se admirar e se espelhar. A bondade transborda. Você pode conversar de tudo que ela irá interagir totalmente contigo. Como ela disse sobre mim, tem boa alma, bondade na essência, que faz dela uma pessoa para se confiar, sempre."

Essa sou eu, pelo Bê!

ps1.: Gostei tanto que virou post.
ps2.: Quer saber o que eu falei dele? Veja aqui.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

1 de janeiro de 2009, para Gabi

Resolvi escrever uma carta pra te mandar (ou me mandar) no ano passado. Vou falar de nós na terceira pessoa porque quero te dar conselhos. Alguns você já até ouviu, mas não fez nada a respeito.
Feliz 2009 Gabi! Prepare-se para um ano com grandes mudanças. Sabe a listinha que você fez na última semana de 2008? Esqueça! Você vai fazer tudo diferente.
Sabe aquele cara que você dispensou no ano passado? Liga pra ele na primeira semana do ano, não espere a última semana do mês! Vocês vão se divertir muito juntos. Vão passar um final de semana sensacional em Escarpas porque você, pela primeira vez, resolveu dar o braço a torcer e ir atrás de alguém. Você precisa aprender a fazer isso mais vezes; o príncipe encantado pode até existir, mas você tem que mostrar que você quer ficar com ele. E uma dica: fala pra Fabi não esquecer a chave da casa do tio dela. Tudo bem, pular a janela vai te render muita história, mas...
Será um caso de verão, você fez certo quando não criou expectativas, não se culpe por isso jamais.
No Carnaval você vai conhecer um menino muito bacana. Diferente de todos os meninos que você já se envolveu. Isso vai mexer muito com a sua cabeça, você vai pensar muito antes de dar uma chance pra ele. Quer saber? Não enrole! Pra quê correr dele por mais de 1 mês? Aceite o quanto antes o convite pra jantar. E acredite, você vai se surpreender.
Ele servirá como fuga para seus momentos de stress. É Gabi, você vai se stressar MUITO no primeiro semestre. Calma! Encare com mais leveza seu TCC, não cobre tanto de você, não cobre tanto das outras pessoas e não assuma tudo. As noites de sono que você vai perder e as lágrimas que você vai derramar por isso não valerão tanto a pena assim. No final todos terão o mesmo prestígio.
Você vai ficar tão neurada com toda a perfeição que quer no seu trabalho que vai deixar um cara muito legal passar, vai pedir demissão do seu estágio e ainda vai brigar com um monte de gente. Respira. Não precisa disso tudo. Não peça demissão num momento de nervosismo, saiba a hora de dar um passo pra trás e simplesmente saia, sem falar nada.
Você vai conseguir arrumar algumas coisas depois (é, nem todas...), mas vai ficar confusa por muito tempo. Poupe-se disso.
Um conselho muito importante Gabi: economize! Pare de gastar dinheiro com tanta bobagem e com tanta coisa sem importância. Seu pai tem razão quando fala que você não sabe administrar. Escute mais o que ele fala. Ah, e conte pra ele antes da sua festa de formatura que você tem tatuagem.
Este também será um ano de mudanças nas suas amizades. Você vai descobrir que nem todo mundo que está perto de você é amigo de verdade. Preste muita atenção e pare de acreditar que todo mundo é bonzinho. Muita gente se aproximará só pra te fazer mal.
Por outro lado, você conhecerá pessoas sensacionais. Vocês vão virar amigas e amigos de infância. Serão mais que amigas de balada e amigos de cinema. Serão AMIGOS. Mas isso não significa que você precisa esquecer as antigas amizades, viu?! Concilie, distribua sua atenção e dê valor no que você já construiu.
Outra coisa, se importe menos com os assuntos profissionais. Não vale a pena se descabelar tanto por isso. E também não vale a pena chorar por isso. Chore por alguém que você perdeu, chore por quem te traiu, chore de raiva e de dor, mas não chore por um trabalho.
Você vai questionar muito a sua vida profissional depois da formatura, vai desejar todas as outras profissões. Não perca tempo, você nasceu para fazer o que faz. Ao invés de gastar horas pensando nisso, pense em como voê pode melhorar como redatora.
Também não perca tempo racionalizando seus sentimentos. Viva mais e pense menos. Crie menos balõezinhos na sua cabecinha e não fique com medo de gostar de alguém. Se você vai quebrar a cara? Vai! E não será uma vez só. Mas é assim mesmo. Viva, qualquer que seja a situação, e racionalize depois, quando tiver que esquecer. Levante a cabeça e bola pra frente. Você nunca estará sozinha, seus amigos e seus pais te amam muito.
Falando em pais, não se assuste, sua mãe será sim uma GRANDE amiga. Ela vai te decifrar e compreender seus casos muito mais do que você pensa. Ela te conhece demais, então escute mais o que ela tem pra falar. Em 2009 vocês vão se unir mais ainda. Dê valor aos pais que você tem diariamente. Demonstre mais seu amor por eles. Eles são as pessoas que mais te amam e mais querem o seu bem no mundo. E por mais que eles entendam que você está passando por um momento de transformação, arrume tempo pra eles. Não invista só na Gabi profissional, invista nos seus relacionamentos.
2009 te renderá histórias inesquecíveis (e algumas impublicáveis!).
Aproveite bem o ano. Este e os próximos que virão.

Beijos,
Gabi

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sábados

A gente saiu do cinema pra não ir pra lugar nenhum. O meu horóscopo recomendava um dia tranquilo, sem muitas agitações. O dela também. Mas como teimosas que somos, insistimos em passar num lugar qualquer para comer depois do filme.
Mesa para 4 pessoas. Só 2 lugares ocupados. Conversas e mais conversas, o local fica cheio. E entre uns pedidos e outras músicas, um cara pede permissão pra sentar.
Acho que ele tinha uns 40 anos. Ou mais. Ou menos. Não importa. O fato é que, mesmo sob olhares nada simpáticos, ele sentou.
- O que vocês fazem da vida? (sem dar muita confiança)
- Somos publicitárias.
- E publicitárias fazem o quê?
- Criam propagandas...
- Cria uma pra mim? Fala que eu sou o melhor partido, o cara mais bonito e com o melhor beijo do mundo. Que serei a solução para todos os problemas da mulher que me quiser.
- (irritada) Olha aqui meu filho, eu não sou obrigada a ouvir esse seu papinho ridículo e idiota em pleno sábado a noite. Aliás, eu não sou obrigada a te escutar NUNCA. A gente não te deu permissão pra sentar nessa mesa, você não é bem-vindo aqui e nem em nenhum outro lugar que eu estiver. Se encherga pq eu tenho idade pra ser sua filha. E não vou fazer merda de propaganda nenhuma pra vc, nem se fosse me pagasse muito dinheiro. Isso ai que você me pediu é propaganda enganosa. E se você tivesse o mínimo de noção saberia disso.

É, uma mulher na TPM.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Do meu jeito, ENTRELINHAS: 3 em 1

Cheguei em casa sem entender o que tinha acontecido. Era pra ser uma noite divertida, com música, danças e muitos casos pra contar. Não sabia mais o que falar, não sabia o que achar, nem sabia o que sentir. Não era pra ser daquele jeito, estava indo tudo tão bem na minha cabeça. Fiquei olhando pro teto, tentando analisar cada acontecimento. Tentativas. Acabei dormindo entra a décima e a quinquagésima imaginação.
O outro dia foi mais estranho ainda, pq foi no outro dia que eu percebi que era verdade. No outro dia a gente sempre escuta todos os casos, todas as confusões e se pergunta: "só eu que não vi?!". Ok, acontece. Razão. (1)
Um feriado no meio de tudo para minimizar os pensamentos. Amigos reunidos e assuntos desviados. Alguém, que viu na noite fatídica uma oportunidade, resolve desabafar. Confessa que não eram sentimentos de amigo, que existia muito mais do que apenas coleguismo. "Só eu que não vi?!". Sentimento de um único fluxo sempre magoa mais do que faz sorrir. E não magoa um só. Não sabíamos mais o que falar, não sabíamos o que achar, sem sabíamos o que sentir. Dias pensativos. (2)
Uma visita de longe, de carro, de 700km, sozinho, repentino, do passado. Veio de conversas na madrugada, de contos inacabados e casos mal contados. Sem promessas, para arrancar sorrisos. Sem compromisso, só pra mim. Entre desencontros casuais, São Paulo e Belo Horizonte nunca foram tão próximos. Até pareciam cidades vizinhas. Emoção. (3)
"Só eu que não vi?!" o feriado acabou, a realidade chegou e todo mundo vai viver a sua rotina. As viagens acabam e as horas ficam lentas. Não sabia mais o que falar, não sabia o que achar, nem sabia o que sentir. Mas eu preciso acostumar, já teve bagunça demais por aqui.

Nem tente entender

A música começou e eu quis escrever. Quis contar pra todo mundo o que estava acontecendo e como os últimos dias foram avassaladores. Sentei e comecei, rascunhei uns quatro textos, umas dez frases soltas e despejei palavras. O medo de contar se misturou com a desorganização dos acontecimentos. Foi tudo tão de repente que eu não tinha mais noção do tempo. Terça virou sexta, ontem já não existia mais e alguns dias se repetiam continuamente, como um looping desgraçado.
A música recomeçou e eu respirei. Precisava ser menos dura comigo se quisesse me colocar em palavras. Pensei em escrever anonimamente, pensei em desistir, pensei em não pensar. E eu, que sempre tinha a resposta certa, a decisão tomada, a escolha segura, não sabia o que fazer diante de um simples papel. Podia citar algum escritor, podia contar a história de um filme qualquer, podia simplesmente inventar personagens que explicariam a verdade misturada com a ficção. Podia contar qualquer coisa que não fosse comigo, qualquer coisa que não fizesse sentido e podia não contar. Mas pra ser sincero, pra transmitir sentimento, pra falar de mim, tem que ser real. Comecei a esquecer do medo, não me importei com o que os outros pensariam. Pra escrever de verdade a gente tem que se mostrar por inteiro. Despir de toda a opinião alheia e SER.

ps.: Um desabafo sobre como surgiu o próximo texto (Do meu jeito, ENTRELINHAS: 3 em 1)